quarta-feira, 5 de novembro de 2008

"Pode-se enganar a todos por pouco tempo, pode-se enganar alguns o tempo todo, mas não se pode enganar a todos o tempo todo”. John F. Kennedy

Depois da escolha dos campeões, o ano letivo realmente começou. Eu já estava acostumado com o ritmo e o frio de Durmstrang, mas meus amigos estavam sofrendo um pouco.
- Já estou usando tudo que posso, e ainda estou com frio. Ainda estamos no verão não é?- resmungava Miyako, enquanto Gabriel batia os pés para mantê-los aquecidos, durante o café da manhã no salão.
- O que temos hoje?- perguntei enquanto pegava um pãozinho frio da cesta e enchia com tudo que estava disponível na mesa.
- Poções. - responderam Vina e Miyako ao mesmo tempo e depois de se encararem desviaram os olhos; ambas respirando fundo. Seguramos o riso.
Todos os amigos que fiz aqui, nos receberam bem, a única que tinha alguma restrição era Lavínia, pois ela e Miyako não se entendiam bem, por conta de uns poucos socos trocados durante as Olimpíadas, onde Vina levou a pior, mas em nome da harmonia do Torneio, todas estavam se esforçando para conviver bem. Nossa mesa era bem barulhenta, com todos falando ao mesmo tempo.
- Porque aquela garota esquisita não tira os olhos daqui?- perguntou Miyako e olhamos para onde o queixo dela apontava, Milla bufou:
- Aquela é a Inês Molotov, e só podia estar com sua irmã perdida Savie.
- Ela queria que Gina dormisse no quarto dela. Dá status, dividir o dormitório com a namorada de Harry Potter. - disse Luna e Gina revirou os olhos quando a zoamos um pouco.
- Inês é a que ganhou o quarto de vocês??- perguntei e Evie resmungou:
- Roubou, você quer dizer, mas por pouco tempo, Ty. Ela vai se arrepender de ter nos tirado de lá. - e Micah disse orgulhoso:
- Que frieza. Parece um general preparando uma invasão. Não tenho razão em estar apaixonado? - e rimos mais um pouco.
- Bom, então vamos logo, senão ficaremos nas piores bancadas. - respondeu Annia, saindo na frente seguida por nós.

Algum tempo depois

Estávamos picando os ingredientes que seriam utilizados na Poção Polissuco e todos estavam animados. O professor Klasnic havia solicitado aos alunos do Clube Avançado de Poções que colhessem a descuraima na lua cheia, e deixassem separadas para nós, para a aula de hoje. A turma estava empolgada, quando a poção ficasse pronta iríamos testá-las uns nos outros e mudar de identidade por uma hora. Eu estava na fase de picar as sanguessugas e jogar no caldeirão quando ouvimos uma voz conhecida:
- Professor não estou passando bem...- era Savie com cara esverdeada, correndo com a mão na boca e deixando a todos surpresos, afinal aquelas coisas não cheiravam tão mal assim a ponto de fazer alguém vomitar. Como a aula tinha que continuar, o professor pediu que Annia, a mais adiantada em sua poção, levasse Savannah até a enfermaria. Algum tempo depois ela voltou, e nem nos lembramos mais do ocorrido.

Havíamos terminado de jantar e estávamos combinando em qual república nos reuniríamos para fazer os deveres do dia quando, senti um cutucão no ombro.
- Ty, posso falar com você?- Era Savannah e estava com os olhos vermelhos.
- Oi Savie, claro que pode. O que é?
Ela olhou para meus amigos e disse:
- É importante... É particular. - olhei para meus amigos e disse:
- Podem ir, daqui a pouco alcanço vocês.
Caminhei com ela até uma sala que estava vazia e ela perguntou à queima roupa:
- Ty, o que você acha de mim?
- Como assim?- olhei bem para ela e notei que ela estava pálida, e parecia mais magra.
- Você gosta de mim? Nós ficamos juntos no casamento da Irina e me pareceu que você gostava de mim, tanto quanto eu gosto de você.
- Savie, quando ficamos juntos, era pra curtir o momento, não quero me prender a ninguém, embora você seja uma garota adorável. - (Ok, eu menti quando disse isso, mas você não pode dizer a uma garota que você só ficou com ela para zoar o babaca do Luka, tenho amor pela minha vida).
- Ty, aquela vez... Droga! Não tem jeito de dizer isso... Estou grávida, e antes que você diga algo de que se arrependa, sim, o filho é seu.
Até pensei em rir, mas quando vi que ela falava sério, fiquei parado olhando para ela e flashes daquela noite começaram a ir e vir na minha cabeça. Lembrei da hora que dançamos, de beber muito com meus amigos, e de quando ela deixou Luka sozinho, e veio em minha direção com uma taça de bebida de cor verde, beijos... No dia seguinte, acordei na hospedaria do vilarejo com ela do meu lado...
- Você tem certeza Savannah? Porque eu me preveni, tenho certeza disso. - perguntei sério e ela começou a chorar dizendo:
- Sim, a enfermeira da escola fez os testes e disse que nenhum método é 100% garantido.
- Deve haver algum erro Savannah. Costumo ser responsável, pelo menos nessa parte.
- O que você quer dizer? Que eu dormi com outro e estou jogando a culpa em você? Típico de quem quer fugir da responsabilidade.
- Não estou fugindo de nada, só estou dizendo que eu me cuidei, e achei que você também fizesse isso.
- Ótimo, agora você me chama de promíscua? O método falhou, e você não quer acreditar que o filho é seu... - e começou a chorar de forma tão desesperada e disse entre lágrimas.
- Desculpe...Não sei o que vou fazer, meu pai vai me matar, não quero te obrigar a nada, mas você tem noção do que será enfrentar isso sozinha? Eu nunca dormi com ninguém antes de você... E você sabe disso. - pior que eu me lembrava deste detalhe chocante daquela noite.
Burro! Burro!Burro! - martelava na minha cabeça
Senti-me um idiota, e acabei me aproximando dela e meio sem jeito, a deixei chorar no meu ombro, mas as palavras dela martelavam na minha cabeça e acabei dizendo o que eu achava que era o certo.
- Você não vai estar sozinha, estarei ao seu lado. - ela fungou na minha camisa e disse entre soluços:
- Eu gosto de você Ty, muito... Mas não posso ter este bebê... Não quero ter um filho chamado de bastardo...
- Savie, podemos não estar apaixonados, mas somos amigos certo? Não vou te deixar sozinha com a criança. Posso ajudar...
- Mas sua mãe não vai permitir...E vamos viver de que? Dependemos de nossos pais...- mais soluços desesperados.
- Não quero ser mãe solteira, serei banida da família. Tive uma idéia... Se for o caso, podemos até nos casar e depois de algum tempo nos separamos...Ora, o que estou dizendo, você nem gosta de mim, como vai assumir um erro? É tudo minha culpa...- e ela chorou mais alto.
- Minha mãe vai se assustar, mas vai me apoiar e quanto à parte financeira não se preocupe, sou independente. Agora pare de chorar, você sabe que isso não faz bem para o seu estado. Vou cuidar de vocês dois, e mesmo que tenhamos que sei lá... Casar; faremos isso. Pelo menos temos que tentar não é?
Ela pareceu se acalmar e me olhou enxugando as lágrimas:
- Vou ser uma boa esposa para você Ty. - respirei fundo tentando assimilar aquelas palavras e perguntei de forma mais natural que consegui:
- Você vai querer uma grande festa Savannah? Quer dizer...De casamento. - engoli seco quando disse as palavras.
- Não precisa ser grande, mas luxuosa. Não é todo dia que eu entro para a família McGregor. Ah! E a propósito, seria bom, você providenciar um anel, acho que a mãe do seu filho merece algo grande e bem bonito. - deu-me um beijo e foi embora.
Eu fiquei ainda mais um tempo, tentando não me atirar da torre pensando na besteira que fiz com a garota errada, depois de uma noite de bebedeira, mas agora não tinha mais volta. Pisei na bola e eu teria que arcar com as conseqüências: um filho não planejado.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Academia de Magia Beauxbatons, 24 de Outubro de 1999.


TORNEIO TRIBRUXO

A delegação de Beauxbatons partirá para o Instituto Durmstrang às 17h do dia 30 de Outubro. Todos os alunos do 7º ano deverão estar no saguão do castelo meia hora antes.

Olímpia Maxime
Diretora.


O aviso foi pregado em todos os murais do castelo, saiu no jornal interno e era lido pelo menos duas vezes por dia na rádio da escola. O clima que envolvia a turma do 7º ano era de pura euforia, estávamos todos ansiosos para embarcar e na expectativa de sermos selecionados para competir em nome da escola. De todo o grupo, Seth era o único que não pensava em se inscrever, o que era uma pena. Com ele de campeão, era vitória garantida pra Beauxbatons.

A semana seguinte aos avisos sobre nossa partida passou voando. Quando percebemos, estávamos embarcando nas carruagens azuis que nos levariam até Durmstrang. Elas eram pequenas por fora, mas muito espaçosas por dentro, poderíamos até dormir dentro delas. Maxime terminou de delegar as ultimas instruções à professora Emily e ao professor Pierre, que ficariam responsáveis pela escola durante o resto do ano, e fechou a porta da carruagem. Pela janela pude ver os alunos que ficaram na escola se despedindo e gritando boa sorte para nosso grupo. Agora sim nosso ano estava começando.

ººº

Instituto Durmstrang, 30 de Outubro de 1999.

Sentimos a carruagem perder velocidade e descer lentamente. As rodas bateram com um baque no chão e seguramos Miyako com a mão antes que ela fosse arremessada contra a parede. Seth foi o primeiro a descer e abriu a porta para madame Maxime sair, liderando a fila. Descemos logo atrás dela e um ar gelado cortou nossas faces e apertamos os casacos, que não eram grossos o suficiente, contra o corpo. O diretor da escola puxou uma salva de palmas e os alunos acompanharam, e em seguida caminhou até a diretora e a abraçou. Paramos em fileira atrás dela e de relance podíamos já localizar nossos amigos, seja de longa data ou que fizemos durante as olimpíadas, acenando discretamente.

O frio que fazia era castigante e esperar pela chegada da delegação de Hogwarts parados do lado de fora do castelo pareceu durar uma eternidade. Começamos a especular se eles viriam mesmo de trem quando ouvimos o barulho de um, fazendo grande estardalhaço na direção da estação logo em frente à escola. Esticamos os pescoços e ficamos na ponta dos pés, curiosos, e logo foi possível avistar Minerva McGonagall sorrindo na medida em que seu jeito sério permitia, liderando uma fila com a maior delegação de alunos que já participaram de um torneio desse. Eram alunos do 7º ano regular e alunos que voltaram à escola depois da guerra para refazer o ano perdido. Logo localizei Gina e Luna, bem à frente da delegação, e Seth se agitou atrás de mim. Griffon fez uma piada e recebeu um soco no braço em resposta. Sufocamos a risada, pois Maxime já olhava atravessado.

McGonagall foi recebida com o mesmo entusiasmo pelo diretor de Durmstrang e finalmente pudemos entrar e nos acomodar nas grandes mesas do salão. Micah e Chris sinalizavam para sentarmos com eles e ocupamos nossos lugares. Gina e Luna também sentaram ao nosso lado e quando todos finalmente estavam acomodados, o diretor de Durmstrang nos deu as boas vindas e o jantar foi servido.

- Come devagar, Ty! – Miyako reclamou – Vai acabar engolindo um osso
- Logo você vai aprender que aqui a comida esfria rápido se ficar dando bobeira no prato, Mi...
- Café nem pensar, não é? – perguntei brincando e Chris balançou a cabeça, confirmando.

Logo os pratos foram trocados por sobremesas já frias, mas não demorou nada para que limpássemos todas as travessas. Os pratos desapareceram da mesa e o diretor se levantou mais uma vez. O falatório que tomava conta das mesas cessou quase que instantaneamente e uma enorme tensão tomou conta do ambiente.

- Chegou o momento – disse juntando as mãos teatralmente e sorrindo para os visitante – O Torneio Tribruxo vai começar. Primeiramente, para àqueles que ainda não os conhecem, gostaria de apresentar o Sr. Demétrio Donskoi, Chefe do Departamento de Cooperação Internacional em Magia – houveram aplausos vagos e educados – e o Sr. Boris Fedorovitch, Chefe do Departamento de Jogos e Esportes Mágicos – os aplausos agora foram um pouco mais entusiasmados, talvez porque o cara era um ex-jogador de quadribol famoso da seleção da Bulgária – Nos últimos meses esses senhores trabalharam incansavelmente na organização do Torneio e se juntarão a mim, madame Maxime e a professora McGonagall na banca que julgará os esforços dos campeões. As instruções para as tarefas que os campeões deverão enfrentar este ano já foram examinadas pelos Srs. Donskoi e Fedorovitch e eles tomaram as providências necessárias para cada desafio. Haverá três tarefas espaçadas durante o ano letivo, que servirão para testar os campeões de diferentes maneiras. Sua perícia em magia, sua coragem, seus poderes de dedução e, naturalmente, sua capacidade de enfrentar o perigo. Mas chega de enrolação! O escrínio, por favor...

As cabeças no salão automaticamente se viraram para a porta, onde um dos guardas da escola vinha empurrando um pedestal com uma arca de madeira incrustada de pedras preciosas. Já havia visto aquela arca no meu 2º ano, em Hogwarts. Era dela que saiam os nomes dos campeões. O pedestal foi postado em frente às mesas e todos os olhares estavam concentrados nele. O diretor Ivanovich pousou a mão sobre ele e continuou falando.

- Como todos sabem, três campeões competem no torneio. Eles receberão notas por seu desempenho em cada uma das tarefas e aquele que tiver obtido o maior resultado no final da terceira tarefa ganhará a Taça Tribruxo. E os campeões serão escolhidos por um juiz imparcial... – ele puxou a varinha e deu três pancadas leves na arca. Ela se abriu com um rangido e ele puxou de dentro dela um grande cálice de madeira, com chamas branco-azuladas saindo da borda – O Cálice de Fogo!

Os alunos sentados no fundo do salão ficaram de pé para enxergar melhor e ele o depositou sobre a arca, deixando bem visível para todos.

- O aluno maior de 17 anos que quiser se candidatar a campeão deve escrever seu nome e o nome da escola claramente em um pedaço de pergaminho e deposita-lo no cálice. Os candidatos terão 24 horas para apresentar seus nomes. Amanhã à noite, dia das bruxas, o Cálice devolverá o nome dos três que ele julgou mais dignos de representar suas escolas. O cálice será colocado no saguão de entrada hoje à noite, onde estará perfeitamente acessível a todos que queiram competir.

O falatório ameaçou recomeçar, agora com os alunos especulando quem colocaria o nome no Cálice e quais seriam os escolhidos, mas o diretor pigarreou alto e nos calamos outra vez.

- Só para finalizar, eu juro... – brincou e alguns alunos riram – Gostaria apenas de lembrar àqueles que querem competir que ninguém deve se inscrever neste torneio levianamente. Uma vez escolhido pelo Cálice de Fogo, o campeão ficará obrigado a prosseguir até o final do torneio. Colocar o nome no Cálice é um ato contratual mágico. Não pode haver mudança de idéia, uma vez que a pessoa se torne campeã. Portanto, procurem se certificar de que estão preparados de corpo e alma para competir antes de depositar seu nome no Cálice. Agora acho que já está na hora de nos deitarmos. Boa noite a todos!

Olhei para Ty, Miyako e Griff e sabia que estávamos sim preparados para competir naquele torneio. No dia seguinte bem cedo depositaríamos nossos nomes no Cálice e só restaria esperar para saber quem seria escolhido para representar beauxbatons e ter a chance de se formar como campeão do Torneio Tribruxo. Não podia existir melhor maneira de encerrar o ano.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

- Paris, Paris, Paris! Que saudade de dizer que vamos a Paris!

Acordei com alguém pulando na cama e mesmo fora de foco, podia ver a imagem de Ty ainda de pijamas saltando de uma cama pra outra. Ele se atrapalhou com a coberta embolada que havia acabado de arrancar e caiu torto por cima de mim. Por termos esticado bastante durante o verão já quase não cabíamos mais nas camas e nossos pés já batiam no pé dela. E de Ty acabou se chocando com a madeira quando ele caiu, o fazendo saltar pro chão como um saci. Levantei rindo e coloquei os óculos. O verão dava indicias de que entrava em seus últimos dias e um céu muito azul nos esperava lá fora. Era nosso primeiro e único fim de semana em Paris do ano, já que em duas semanas partiríamos para Durmstrang.

- Também senti falta de dizer que vamos passear em Paris por um dia – constatei ao me pegar sorrindo empolgado com a expectativa do dia que viria
- Nem temos mais o que fazer lá depois de tantos anos, mas é sempre bom sair da escola um pouco – Ty já pegava a roupa para sair do quarto
- E vamos conhecer a filha do Ian hoje – lembrei rindo – Isso vai ser engraçado.
- É mesmo, vamos conhecer a pobre criança...

Rimos da imagem de Ian trocando fraldas e fazendo mamadeiras e saímos do dormitório. Miyako, Seth e Griff já nos esperava no salão principal quando chegamos lá meia hora depois e depois de um rápido café, seguimos para o barco. O dia, como já havia notado, estava muito bonito. Aproveitávamos os últimos vestígios do sol que veríamos aquele ano enquanto o barco percorria o canal e assim que descemos no porto, Mad e Marie já nos esperavam para nos acompanharem até o apartamento dele.

Estávamos todos curiosos por conhecer o bebê. Acompanhamos todo o processo pelo qual Ian passou para conseguir a guarda dela de longe, por cartas que eles nos enviavam, e apenas conhecíamos Gabriela através de fotos. As meninas já iam nos preparando para o que veríamos, mas nada, nada mesmo, poderia ter me preparado de verdade para o que vi quando Marie abriu a porta do apartamento. Era como se tivesse adentrado o set de filmagens de “Três Solteirões e um Bebê”. A sala não existia mais. Havia se transformado em um deposito de fraldas, brinquedos, andador, cadeirinhas de bebê e roupas, muitas roupas. Sujas e limpas, todas estavam lá para se escolher. Ainda não tinha conseguido processar tudo que tinha pelo caminho quando Ian saiu do quarto com um embrulho no colo.

- Ei pessoal... – ele se aproximou e vimos um rosto de olhos azuis e cabelos muito loiros no meio daqueles panos cor de rosa – Essa é a Gabriela...

Miyako foi a primeira voluntária a pegar o bebê no colo e depois começou o revezamento. Agora já estávamos craques em como se segurar um bebê sem parecer que ele era uma bomba, tivemos bastante tempo para praticar nas férias. Passamos o dia inteiro na casa deles conversando e paparicando Gabriela. Não que eu considerasse Ian um bom pai ainda, mas não podia negar que ele era esforçado. Fazia questão de fazer tudo sozinho e só aceitava ajuda quando não conseguia se achar em meio àquela zona. Era bom ver o quanto ele havia crescido e amadurecido em tão pouco tempo. Nem de longe lembrava o garoto babaca com quem vivia batendo de frente há dois anos atrás.

O sol já começava a se esconder atrás de algumas nuvens indesejáveis quando resolvemos ir embora. Restava apenas uma hora para voltarmos pra escola e ainda queríamos fazer algumas compras. Mad desceu comigo e ainda não tínhamos nem saído do prédio quando Griffon comentou sobre como estávamos todos ansiosos pelo inicio do Torneio Tribruxo. Mad e eu nos olhamos e ela não falou nada. tinha certeza que ela sabia sobre o torneio, mas não foi através de mim. Ainda não havíamos conversado sobre isso e continuamos sem falar nada mesmo depois dos outros tomarem outro caminho e ficarmos sozinhos. Limitamos-nos a andar de mais dadas pela rua, possivelmente um esperando o outro começar.

- Então... – Mad foi quem tocou no assunto primeiro – Quando pretendia me contar que está indo pra Escandinávia em 2 semanas? Depois que o Torneio começasse?
- Eu ia contar, só não sabia como – tentei me justificar – Sabia que você não ia gostar.
- Claro que eu não gostei! – disse um pouco exaltada e paramos de andar – E gostei menos ainda de você esperar tanto tempo pra dizer. Está sabendo disso desde que as aulas começaram!
- Desculpe se não encontrei um meio de dizer numa carta “adivinha só, amor? Estou indo pra outro país e só vamos nos ver em Junho!” – respondi tão exaltado quanto ela – Escolhi contar pessoalmente e só estamos nos vendo agora!
- Esse é o problema! – algumas pessoas olharam quando ela sacudiu os braços irritada e Mad diminuiu o tom de voz – Há quanto tempo não nos vemos? Quase dois meses?
- Eu não posso sair da escola todo fim de semana, vá reclamar com a Maxime! – respondi irritado

Ela deixou escapar um rosnado alto e começou a andar de um lado pro outro, sem dizer nada. Quando parou e me encarou outra vez, aparentava estar bem mais calma. E eu também estava.

- Eu não quero que seja assim – disse cansada – Quando começamos a namorar, disse a você que não sabia fazer parte de um relacionamento a distancia.
- Isso não está dando certo, não é? – disse rindo também cansado
- Não, não está. Eu não sei como conduzir isso, não sei lidar com o fato de que só posso ver meu namorado a cada dois meses e o fato de não conseguir controlar isso me enlouquece! Odeio não saber como agir, não saber o que fazer! – ela sentou na calçada e apoiou a cabeça nas mãos
- Também não é agrada ficar longe de você, mas tudo que posso fazer, eu já faço.
- Eu sei, não estou culpando você. Talvez a gente... – mas ela não conseguiu completar
- Talvez a gente deva terminar então – completei por ela

Ninguém falou nada pelo que pareceu uma eternidade. Sentei na calçada ao lado dela e ficamos encarando o asfalto até que resolvi quebrar o silêncio. Ambos sabíamos que tudo ia mesmo terminar, não havia mais como adiar.

- Talvez seja o melhor – dei de ombros – Não gosto de brigar com as pessoas que gosto.
- Eu também odeio brigar com você. Era só o que a gente fazia, não é? – ela riu um pouco
- É, na maior parte de tempo – o espelho no meu bolso vibrou e puxei depressa
- Biel, o barco vai sair em 15 minutos! – ouvi a voz urgente da Miyako
- Como em 15 minutos? – me assustei – Ele só sai às 17h!
- Mas são 16:45! – ouvi a voz do Ty atrás dela – Nossos relógios estão com fuso horário das antigas escolas! Corre, lobão! – e desligaram o espelho
- Melhor você correr, não pode perder o barco – Mad levantou do chão e levantei também
- Mad, eu... – queria dizer tanta coisa, mas 15 minutos era muito pouco tempo
- Está tudo bem, Gabriel, pode ir. Nós estamos bem.

Nos encaramos alguns segundos e foi ela que se adiantou e me abraçou. E não tínhamos pressa em interrompê-lo, pois sabíamos que ele deixava claro que não nos veríamos mais por um bom tempo. Talvez até pela última vez. Quando nos separamos e eu virei às costas para descer a rua, sabia que não seria fácil de esquecê-la, mas também sabia que era o que teria que fazer. Custe o que custar.


Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre, sem saber
Que o pra sempre, sempre acaba...

Mas nada vai conseguir mudar o que ficou
Quando penso em alguém só penso em você
E aí, então, estamos bem...

Cássia Eller – Por Enquanto

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

01 de Setembro de 1999

Das anotações de Ty McGregor

- Pegou tudo? Casaco, dinheiro, os livros, se acontecer alguma coisa...
- Chamo a Emily e na pior das hipóteses mando meu patrono chamar vocês. Mãe, faço esta viagem há 7 anos, já sei de cor todas as regras.
Murmúrios engraçados...
Risos...
Beijos estalados...
- Mas é seu último ano, é especial. Vou sentir sua falta...
- Alex, solta o garoto! Ele e Miyako vão perder a saída do barco da escola.


Todos os anos desde que entrei para a escola de magia, era a mesma coisa: minha mãe fazia mil recomendações e após várias promessas de escrever todos os dias, lavar atrás das orelhas, comer tudo que estiver no prato, eu conseguia começar a viagem de volta para a escola. E este ano seria uma viagem especial. Era nosso último ano e eu, pedi transferência de Durmstrang e Gabriel voltava da Califórnia para cumprirmos o pacto feito com Miyako quando nos separamos um ano atrás: voltarmos a estudar no mesmo lugar e nos formarmos juntos.
Minha irmã Emily, havia ido para a Beauxbatons dias antes, pois segundo ela havia coisas importantes a serem feitas e não quis explicar mais nada. Então eu viajaria ate Paris junto com meu padrinho Sergei e sua filha, que era minha melhor amiga Miyako, e não demorou para encontrarmos Gabriel no porto esperando por nós, junto com Griff, Seth, Jean e vários colegas que não via desde minha estadia na geleira. Quando nos encontramos, fizemos o famoso montinho, gritamos, rimos, nos abraçamos animados e logo arrumamos lugar para nos acomodar no barco. Tínhamos muito o que conversar...

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- Quer dizer que você veio para cá há 5 dias e ficou no apartamento da Mad...Hmmm. - disse Miyako.
- Há! Por isso este jeito de gato que comeu o canário. Aposto que nem saíam do apartamento. - comentei.
- Vai perder a aposta, pois saíamos sim. - respondeu Gabriel fazendo pouco caso. Ficamos nos encarando e logo ele sorriu:
- Mas voltávamos logo. - rimos e começamos a falar ao mesmo tempo, quando Miyako nos interrompeu:
- Nada de detalhes sórdidos rapazes, ainda não anoiteceu. Melhor vermos as fotos de nossos irmãos. - e abriu um pequeno álbum que várias fotos ficavam penduradas, devia ter umas 20. Ao ver nosso espanto ela disse:
- Eu não sabia qual trazer...Todas são lindas.
Gabriel e eu nos redemos e mostramos nossa carteira, também havíamos trazidos fotos dos novos membros de nossas famílias. Quando avistamos o castelo, coloquei os braços sobre os ombros de meus amigos e disse depois de respirar fundo:
- Estamos em casa!

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-TIM!TIM!TIM!


Fez Madame Máxime pedindo silêncio ao final do banquete e todos começamos a ouvir. Ela deu todos os avisos de começo de ano, pediu para não irmos até a floresta sozinhos, pediu para os alunos pouparem o zelador das bombas de bosta Weasley, pois algumas do ano anterior ainda deixavam algumas alas do castelo com cheiro indesejado, enfim todo o blá, blá de sempre, e eu já começava a virar para meus amigos e conversar quando ela se levantou e fez aquele olhar sério. Optei por escutar :P
‘Após os avisos anteriores, que tenho certeza poucos ouviram, tenho outros que com certeza os envolverá de alguma forma. Este ano não teremos o campeonato de quadribol entre as casas’ Alguns alunos começaram a protesta, eu dentre eles, mas ela não se intimou e sua voz soou mais alta: ‘Isto se deve a um evento que começará em outubro e irá prosseguir durante todo o ano letivo, mobilizando muita energia e muito tempo dos professores, mas que eu tenho certeza de que vocês irão apreciá-lo imensamente. Após muitas negociações e diversas reuniões entre vários Ministérios da Magia, tenho o grande prazer de anunciar que este ano Beauxbatons irá participar do Torneio Tribruxo! Que será sediado por Durmstrang’
Após muitos assobios, vias, e muito burburinho, ela conseguiu acalmar os alunos e tornou a falar:
Para aqueles que não sabem, O Torneio Tribruxo foi criado há uns setecentos anos, como uma competição amistosa entre as três maiores escolas européias de bruxaria - Hogwarts, Beauxbatons e Durmstrang. Um campeão foi eleito para representar cada escola e os três campeões competiram em três tarefas mágicas. As escolas se revezaram para sediar o torneio a cada cinco anos, e todos concordaram que era uma excelente maneira de estabelecer laços entre os jovens bruxos e bruxas de diferentes nacionalidades - até que a taxa de mortalidade se tornou tão alta que o torneio foi interrompido. Durante séculos houve várias tentativas de reiniciar o torneio, nenhuma das quais foi bem-sucedida. Há 5 anos houve uma nova tentativa do Ministério de reabrir o Torneio, mas o retorno de Voldemort fez com que o mesmo tivesse um desfecho trágico, infelizmente. Porém, agora que as coisas normalizaram novamente, o Ministério decidiu que era hora de voltar fazer uma nova tentativa. Trabalhamos muito durante o verão para garantir que, desta vez, nenhum campeão seja exposto a um perigo mortal. E Durmstrag foi escolhida para hospedar esse novo retorno’
Ela parou para tomar fôlego, mas continuou antes que alguém interrompesse ‘Nòs e Hogwarts viajaremos com a lista do competidores em Outubro para lá, e a seleção dos 3 campeões será realizada no Dia das Bruxas. Um julgamento imparcial decidirá que alunos terão mérito para disputar a Taça Tribruxo, a glória de sua escola e o prêmio individual de mil galeões. A competição está terminantemente proibida a todos aqueles que ainda não completaram 17 anos, a maioridade bruxa. Ficaremos hospedados com eles durante a maior parte do ano letivo. Como meus alunos, espero contar com sua colaboração para serem hóspedes irrepreensíveis, assim como foram durante as Olimpíadas. Sei que poderei contar com o apoio incondicional de vocês ao campeão de Beauxbatons, quando ele ou ela for escolhido. E agora que todos terão um assunto novo para discutir ate a nossa viagem começar, seria bom irem para seus dormitórios e descansar, pois amanhã é dia de aula. Boa noite a todos!

Olhei para meus amigos e logo combinávamos de nos inscrever e todos estavam animados e dando palpites sobre que tipos de prova poderiam inventar para este torneio e já fazendo planos de escrever a nossas mães pedindo mais roupas quentes. Porque uma coisa é certa: já temos que chegar neste torneio vencendo o primeiro desafio: o frio! rsrs

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

- Ty, o Lu me contou que você pediu para entrar para o clã. Nós estávamos esperando que pedisse, como ele deve ter lhe dito, você é bem vindo a qualquer momento. Só é necessário o pedido formalmente, e como você é menor, vamos precisar da autorização da Alex. – Mamãe falou enquanto se sentava para jantar conosco. Ela e tia Celas haviam chegado no meio da tarde e desde então Ártemis não largava mamãe, apenas de vez em quando para ir no colo de papai ou de Seth.
- Isso não deve ser um problema, ela conhece vocês há anos, e tenho certeza que confia em vocês. – Ty falou alegre, com a boca cheia de batatas.
- Ela deve confiar também que ensinemos boas maneiras para você né, Ty? – Falei rindo, com tantas batatas quanto ele na boca.
- Você não pode falar nada, Griffon! Gaia e Ártemis vão aprender ótimas maneiras com você. – Seth falou meio indignado comigo.
- Ah, Seth, estamos de férias, não em uma aula da Defosséz! – Comentei rindo enquanto imitava minha querida professora ensinando a usar um garfo, arrancando gargalhadas de todos.
- Se tiver tanta energia para treinos como tem para se divertir conosco, você se dará muito bem no clã, Ty. Nós podemos amanhã mesmo falar com a Alex, que acha Ty? – Tia Celas comentou quando finalmente conseguiu se controlar.
- Acho que seria melhor se eu falasse com ela antes, mas obrigado, Tia Celas.
- Ela deve vir no final da semana para pegar vocês, Ty. Vocês não vão a Disney? – Papai lembrou da viagem e deixou a mim e ao Ty muito animados.
- É verdade! Havia me esquecido disso! – Comentei rindo.
- Por falar na viagem, tem certeza que não quer ir, Seth? Vai ser divertido! – Ty falava com Seth.
- Obrigado Ty, mas não é muito meu estilo um lugar cheio de pessoas, berrando e se acotovelando em uma fila por horas. Fora que iremos ao Egito, e a Luna vai conosco.
- Havia me esquecido disso também. Só não entendo como você prefere múmias velhas a brinquedos da Disney... – Ty comentou revirando os olhos enquanto Seth fingia não ouvir.
- O que você não esquece, Ty? – impliquei com ele rindo.
- De te derrotar em xadrez de bruxos, em duelos, em inteligência... – Ty começou a listar enquanto contava nos dedos. – E por falar nisso, como foram nos NOMs? As viagens são prêmios não?
- Ah, eles foram ótimos. Conseguiram Ótimo em quase todas as matérias, a menor das notas foi um Excede Expectativas. – Papai falou com orgulho na voz.
- Mas estudaram muito, eles nos contaram que passavam noites estudando. – Mamãe falou, também orgulhosa. – E eu quero saber os seus resultados. Sei que foram igualmente ótimos.
- Minhas notas foram excelentes, e conseguir um ótimo em DCAT foi demais, fiquei chocado rsrs. Até consegui um Excede as expectativas em Alquimia. Claro que Reno vai dizer que o mérito é dele ‘Afinal você não é tão burro quanto parece Tyrone, podemos tirar as orelhas compridas e aumentar a ração de aveia...’ - ele disse imitando Reno Kolontai e rimos com careta de Seth, pois até o sotaque ficou parecido.
Passamos o resto do jantar conversando e brincando e finalmente fomos dormir. Quer dizer, fomos para o quarto, mas ainda ficaríamos horas conversando e jogando Snape-Explosivo ou Xadrez de Bruxo. A noite era uma criança!

Disney – Alguns dias depois.

- Kumba!! – Gritei enlouquecido só de imaginar a empolgação da montanha-russa monstruosa.
- Você não cansa não? – Wes me perguntou chocado.
- Mal começamos, Wes. Quero muito mais!!
- Queria saber de onde você tira tanta energia, Griff. – Annia comentou também chocada, apesar de ainda ter o semblante irritado por ter perdido os sapatos.
- Por Merlim...KUMBA!! – Era a vez de Ethan gritar ao ver o tamanho da montanha-russa.
- Aeee!! Esse é dos meus, já disse que adoro você Ethan? – Ri alto enquanto o abraçava.
- Sai pra lá, Griff. Pode deixar essas declarações pra Emily! – Ele riu também me empurrando. Eu fiquei sem graça e ouvimos Emily tossindo. – Ah Emily, não tinha te visto!
- Vocês vão mesmo nesse brinquedo? Acabaram de devorar costelas inteiras! – Ela comentou mudando de assunto.
- Mana, somos de ferro!! Isso é brincadeira de criança! – Ty falou extremamente animado. – Você vem com a gente?
- Vou ficar aqui cuidando dos que não vão. – Emily falou enquanto segurava um suspiro de alívio.
- Não sabe o que está perdendo. – Micah falou quando subimos e fomos ocupando os carrinhos.
O brinquedo foi ótimo, a adrenalina das curvas insanas era algo que eu nunca havia experimentado. Estava achando incrível como os trouxas conseguiam se divertir tanto sem usar magia, e alguns desses brinquedos pareciam impossíveis até com magia. Micah me falou que isso era obra da engenharia, e achei muito interessante e pensei em estudar mais sobre ela em algum outro momento.
A viagem em si estava sendo ótima. Os primos do Ty eram muito divertidos e engraçados e no primeiro dia eu já havia feito amizade com todos. Declan e Sophia eram tão insanos e levados quanto eu e eu me dava muito bem com eles. Ty não podia perder a oportunidade de implicar comigo e vivia falando que era bom eu ter bom relacionamento com a família e primos, uma vez que queria fazer parte dela. Esse era mais um dos motivos para a viagem ser ótima.
Desde o dia em que eu e Seth saímos para caçar Hellion fiquei poucas vezes a sós com Emily e há muito tempo não conversávamos sobre os sentimentos. Então estar assim próximo dela o tempo todo era ótimo, mesmo que apenas como amigos. Eu entendia-a muito bem, ela era educada e correta e nunca namoraria um aluno, mas não é por isso que eu deixaria as coisas de lado. Não pretendia tentar nada enquanto fosse aluno dela, em respeito aos ideais dela, mas durante a viagem todos implicavam conosco, e ela se mantinha séria, e eu tentava o mesmo, sem muito sucesso rsrs.
Nesse dia após a Kumba, fomos às corredeiras junto do Micah, pois era o dia de folga dele. Lotamos um dos grandes botes e nos divertíamos jogando água nos outros, mas eu conseguia me desviar de todos, pulando que nem um maluco e balançando o bote. As garotas estavam irritadas comigo e tentavam me fazer parar para não virar o bote, mas depois desistiram e passaram a tentar me molhar a qualquer custo.Mas eu era invencível!
- Hahahahahah podem tentar ninguém me molha! Sou o invencível do Congo River Rapids! Virarei lenda desse brinqued...- Eu havia acabado de abrir os braços quando olhei pra cima. Uma cascata que eu não havia visto estava exatamente acima de mim e por alguns segundos consegui ver as gotinhas d’água caindo na minha direção. Só pude pensar ‘Me ferrei...’. Em um segundo, minha lenda de o invencível foi por água abaixo, literalmente. Todos rolavam de rir e a gargalhada durou minutos e mais minutos, principalmente com o Ty e a Sophia imitando minha pose e minha cara ao me molhar.
- Bem, estamos todos ensopados, e o Griffon parece que caiu dentro de uma piscina, acho que está na hora de encerrarmos por hoje. – Annabeth comentou rindo de mim, que pingava o tempo todo.
- Hoje foi um dos dias mais hilários desde que comecei a trabalhar aqui, e olha que já vi cada coisa por aqui. – Micah falou rindo enquanto se despedia de nós.
- Até mais, Micah, hoje foi ótimo mesmo, adorei ter tomado banho sem precisar voltar ao hotel. – comentei rindo e mexendo os braços jogando água em todos.
- Ei Griff, cuidado! Por que não tiramos uma foto do momento? – Sophia caiu na gargalhada enquanto me imitava.
- Ainda bem que ninguém pensou em tirar fotos! Podem ir indo eu vou procurar algum lugar pra me secar. – Falei enquanto me dirigia para algum lugar mais vazio para poder usar magia. Encontrei uma praça com alguns poucos turistas e conjurei uma barreira ao meu redor para produzir uma nuvem de vapor quente com a varinha enquanto ria de mim mesmo.
- Esse tipo de coisa só acontece com você mesmo, Griff. – Pulei com o susto quando Emily apareceu perto de mim, rindo também. Ela notou a barreira e sacou a varinha, fazendo surgir mais vapor. - Quer ajuda?
- Ah,obrigado Emily. Foi bem feito pra mim, mas foi divertido!
- Foi hilário! Seus pais vão adorar, e o Seth então vai querer ver as nossas lembranças!!
- Ele não pode falar nada! Queria ver é ele e a Luna passeando com as múmias, ainda mais com uma namorada como ela, é capaz dela tentar conversar com elas!!
- Tadinha dela, Griff. É a namorada do seu irmão, e uma garota incrível.
- Eu sei, mas gosto de brincar com ela, ela nem liga.
- É pelo que conheci dela da vez em que nos reunimos na sua casa para esperar vocês notei isso também. – Ela falou se referindo à caçada a Hellion e por um momento ficamos quietos. – Sabe, a Sophia anda me perguntando umas coisas.
- O que? Se sou sempre palhaço assim??
- Isso também, e digo que na escola você é pior...Na verdade ela tem perguntado de nós dois. – Notei como ela reunia coragem para conversar sobre isso e senti meu estômago gelar.
- Ah, é? Mas por que ela perguntaria isso?
- Porque acha que temos algo...Que estamos namorando... – ela corou e eu também.
- Ah, você sabe que eles gostam é de implicar conosco. – eu já estava seco e me levantei, com uma distância educada dela. Ela porém continuou no lugar, talvez mais próxima.
- É eu sei. Na verdade...Eu queria conversar sobre isso...Sei que você sente algo diferente por mim...
- Sim, eu sinto. Mas já conversamos sobre isso, e irei respeitá-la até quando desejar.
- Eu sei disso, não posso me envolver com um aluno. Mesmo que eu... – ela ficou quieta antes de completar a frase e por algum motivo eu me senti mais leve que nunca.
- Eu não vou ser seu aluno para sempre. – Falei sorrindo, e a segurei pela mão. Achei que ela iria recuar e tirar a mão, mas ela continuou no lugar e me olhou nos olhos e eu disse.
– Falta apenas um ano, depois não serei mais seu aluno. Esperarei o tempo que for necessário.
- Eu não quero prender você, Griffon. Você é jovem, tem muito o que viver, aprender e conhecer outras pessoas.
- Você não está me prendendo, e pare de falar como se você fosse muito mais velha.
- Eu sei muito bem que não estou te prendendo, lembro muito bem da época em que o Seth brigou com você. – Ela falou rindo, mas com um tom diferente na voz.
- Eu ouvi algum ciúme?Naquela época eu estava mais idiota que nunca, mas agora amadureci e odeio admitir, mas o Seth estava certo e agradeço a ele pelo que fez por mim.
- Não seja convencido Griffon, não há ciúmes aqui. E, sim você está mais maduro que no início, fico feliz com isso. – Ela sorriu novamente e começamos a andar mais devagar. Começava a anoitecer e meu coração batia loucamente, querendo pular para fora do peito, e pelo meu treinamento sabia que Emily sentia o mesmo.
- Ah vocês estão ai! Estou interrompendo algo? – Sophia chegou correndo e parou com um sorriso no rosto ao nos ver de mãos dadas. Nós soltamos as mãos imediatamente e nos afastamos sem jeito enquanto balbuciávamos desculpas. – Vou fingir que não vi nada. O Ty já tava preocupado e me ofereci para procurar você Griff. Vamos voltar?
Voltamos para o hotel depois disso e ninguém mais pareceu notar algo de diferente, apenas Sophia e Ty que me olhava com um sorriso de quem sabe de algo no rosto, e acabei contando pra ele sobre a conversa. Ele só faltou pular de alegria e disse que ficava feliz por nós dois, me deixando completamente sem graça. Foi a noite mais feliz da minha vida, e dormi como se tivesse retirado um peso de minhas costas, leve e feliz. Um ano! 365 dias que eu gostaria que passassem depressa.

Último dia na Disney

Era o último dia de nossa viagem à Disney e pretendíamos dar uma ultima olhada nos parques e visitar novamente as corredeiras. Estávamos todos animados, mesmo que esse fosse o último dia, pois apesar de termos que ir embora, a viagem foi maravilhosa cheia de diversão e alegria. E talvez para mim tenha sido até melhor, por ter conseguido conversar com a Emily e fazer amizade com novas pessoas. Nós iríamos hoje ao Kali River Rapids, do Animal Kingdom, e o Micah estaria lá também, trabalhando. Como éramos um grupo muito grande, nos dividimos em dois botes. No primeiro ia Ethan, Brian, Brianna, Ty, Beatrice, John, Annia, Declan, Chloe, Amber e Cody. No outro bote, iríamos eu, Emily, Annabeth, McBride, Riven, Desireé, Julianne, Sophia, e mais uns garotos que não conhecíamos.
O brinquedo era realmente rápido e agradeci por termos ouvido as dicas de Micah e nos preparado com capas e tudo mais, pois não queria mais um banho fora de hora. Tudo estava correndo normalmente quando senti uma presença estranha. Senti antes de ver. E quando olhei vi Emily chocada pois notou algo estranho também.Alguém aparatara no bote a frente, e devido ao novo peso que surgiu de repente, o bote onde estavam Ty e os outros virou. Ty já começava a tirar os pequenos da água e nós o ajudamos, quando finalmente me toquei de algo
- Onde está o Ethan? – perguntei.
- O que aconteceu? – Annabeth perguntava enquanto ajudava mais algumas das crianças.
- Um cara encapuzado surgiu no bote e por isso viramos! – Amber falou arquejante.
- O Ethan sumiu!! Precisamos achá-lo. – Ty falou começando a se desesperar.
- Calma Ty, eu sou a responsável por esse grupo. Eu vi toda a ação, mas não deu tempo de fazer nada. – Emily falou tensa.
- Droga! Eu devia ter notado antes! Havia uma intenção maligna ao nosso redor que eu não notei antes, só quando o cara surgiu do nada! – Falei praguejando.
- Vamos Griff, vasculhe esse parque inteiro! Precisamos achá-lo. – Ty falou enquanto me puxava pelo braço.
- Acalme-se Ty. Precisamos de mais informações. O Ethan tem sido seguido? Ele comentou algo? – Perguntei, tentando acalmá-lo.
- Não...Não sei...Ele falou que tinha a impressão de às vezes ter alguém o observando. - disse Brianna.
- Droga. Seja lá quem for, tomou cuidados, ele andou nos espionando e escolheu o momento em que estivéssemos de guarda baixa, diante de trouxas! – Foi a vez de Emily praguejar.
- Se o alvo era o Ethan, vamos nos dividir e procurar pelo parque. Já foi um risco, usarem magia aqui para pegá-lo, devem estar escondidos esperando uma forma mais segura de sair. - disse Cody.
- Micah, quero as imagens daquele trecho, talvez tenhamos alguma coisa com que trabalhar. - disse McBride e após trocar um olhar com Annabeth e Emily ele falou:
- Emily, não avise Alex ainda, ela não pode se assustar...
- Mas temos que avisar ao meu tio. Se foi um seqüestro, podem pedir algum resgate e ele tem que estar preparado. - disse Annabeth e McBride disse:
- Falarei com Logan, mas quero dar uma olhada no parque antes de sairmos daqui. Vamos nos dividir em grupos onde alguém possa aparatar e levar o outro junto, para o quarto do hotel, se surgir algum problema ok? Nem todos aqui têm autorização para isso, mas ao menor sinal de perigo, não hesitem em usar suas varinhas. De lá, vamos embora do nosso jeito. Chega de “aventura trouxa”.
Nos dividimos e ao chegar num lugar mais discreto, eu disse:
- Vou tentar achá-lo. Ty, Annia mantenham a barreira que vou conjurar. – falei sério enquanto fechava os olhos. Conjurei uma barreira anti-trouxa ao meu redor e os dois se concentraram, pois para procurar por Ethan demandaria de muita energia.
Concentrei-me em sua presença e foi uma sorte ter convivido com ele esse tempo todo, pois ficava mais fácil para localizá-lo. Comecei a expandir minha aura pelo parque, gradativamente aumentando meu raio de alcance, mas sem encontrar nada. O homem devia estar em algum lugar calmo esperando a poeira baixar, e por isso eu explorava cada canto do parque. Mas não havia resultados. Quando finalmente encontrei algo. Foi uma sensação fraca e por pouco tempo, pois fui repelido rapidamente.
- Droga. Colocaram uma proteção. Não posso localizá-lo com magia. Tentei tudo e em todas fui repelido. – praguejei enquanto me segurava em Ty para recuperar energias.
Quando demos por inútil a procura no parque voltamos ao hotel e usamos a chave de portal conjurada por Annabeth, indo para a casa dos Warrick, que encontramos lotada. Mamãe e Papai já estavam lá e tentavam acalmar Tia Alex, junto com tio Bem, e os pais dos outros primos do Ty. Meus pais me falaram que Seth ficou com Tia Celas no Egito, mas que de lá tentava localizar Ethan, também sem sucesso. Eu e o Ty passamos a nos revezar no uso de projeções astrais, mas em todas éramos repelidos, sem encontrar sinal algum. Quem levou Ethan, sabia como evitar a nossa procura.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Tal pai, tal filho...

Das memórias de Griffon Chronos

Sede dos Chronos – Londres – Início das Férias

- Eu sinto como se finalmente estivesse reunindo todos meus filhos! – papai falou sorridente e orgulhoso enquanto se dirigia a mim, Seth e Ty. – Sempre gostei de ensinar aos meus filhos e treina-los, e considero você, Ty, como meu terceiro filho e me sinto muito feliz por gostar de treinar com esse velho tio aqui.
- Tio, você é tudo menos velho! Ta bem, ta ficando meio careca, mas o que o cabelo significa né? – Ty falou rindo e nós três caímos na gargalhada quando papai passou a mão pela cabeça procurando buracos no cabelo. – Pode ficar tranqüilo tio Lu, estou apenas brincando. Eu que me orgulho de poder treinar com vocês três, que são como minha segunda família.
- Há tempos os Mcgregor e os Chronos são quase como uma única família Ty, somos amigos há anos! – Seth falou após controlar os risos e tentando fingir seu tom sério.
- É só falta a oficialização...Que tal juntarmos um dos seus primos com a Gaia hein? – Falei rindo, e os três olharam para mim com caras de quem iam implicar comigo.
- Sei, Griffon, você não quis dizer Griffon e Emily não? – Seth falou segurando o riso e me deixou vermelho.
- Olha, Griff, se depender de mim, tem a benção do irmão mais novo!! Mas olha o respeito pela minha irmã hein!
- Então já devo encaminhar o pedido a Alex? Ela vai adorar saber que um de seus sobrinhos vai se casar com uma Mcgregor!
- Ei dá pra parar?! Não tínhamos que treinar? Acho que foi para isso que estamos reunidos!
Tentei mudar de assunto enquanto sentia meu rosto cada vez mais corado, e eles finalmente pararam de rir e voltamos para o treinamento. Era o início das férias e o Ty, a convite de meus pais e a pedido dele, veio treinar conosco por algumas semanas. Estávamos dividindo o quarto eu, ele e o Seth e podem imaginar a bagunça que o quarto não estava! Eram três garotos que iam dormir quase de manhã e passavam o dia treinando, se divertindo ou paparicando a mais nova Chronos, logo não tínhamos energia para pensar em limpar o quarto, apesar das tentativas do Seth. Ele não precisa saber que todo dia de manhã era o esporte favorito meu e do Ty bagunçar o que ele havia arrumado...
Ty estava passando o tempo conosco para também aprender o ritmo do clã e para passar mais tempo conosco e com a afilhada, uma vez que ele passava tanto tempo em Durmstrang. Mamãe passava quase o dia todo fora resolvendo assuntos do clã junto de Tia Celas, geralmente voltando ao final da tarde, ou para almoçar conosco. Por isso Ártemis ficava conosco, assim como nossa prima Gaia. As duas geralmente ficavam em um quarto próximo da sala de treinamentos para podermos ver como elas estavam o tempo todo. A sala de treinamentos era a prova de som e de impacto, por isso podíamos destruí-la que Ártemis e Gaia mal sentiriam uma vibração. Isso era resultado do trabalho de meu bisavô, que entrou em acordo com os Ministérios para que o clã pudesse construir áreas de treinamentos como essa em vários países, como Inglaterra, França e Alemanha, sendo a sala francesa a maior das salas de treinamento.
E nós realmente colocávamos a sala praticamente a baixo. Papai no início decidiu nos ensinar feitiços mais poderosos e destrutivos, com efeitos arrasadores. Ele nos ensinou a maneira certa para se manipular grandes objetos como colunas e blocos de pedra, assim como o jeito correto de se aniquilar algo. Ele também nos ensinou a transfigurar objetos em armas, criando soldadinhos de mármore que lutariam por nós. Depois ele começou a nos treinar em grupos, de modo que desenvolvêssemos nossas habilidades de grupo. O primeiro grupo óbvio, era ele e Seth contra eu e Ty, para unir poderes semelhantes. O objetivo era que obtivéssemos sincronia e aprendêssemos a nos fortalecer com o companheiro, assim como cobrir suas fraquezas. Foi uma luta equilibrada, pois as duas duplas já se conheciam e sabiam de suas fraquezas e habilidades, sabendo lutar juntos.
Depois ele formou um novo grupo, reunindo eu e ele, e Seth e Ty. Dessa vez a sincronia foi menor, pois era necessário equilibrar as forças para o duelo, e papai usou feitiços para modificar nossas habilidades, tornando-as menos previsíveis. Por fim ele reuniu eu e Seth contra ele e Ty.
- Ty, agora preste atenção em como eles lutam bem juntos, são o mais próximo da máxima sincronia que conheço. Devemos nos sincronizar para derrota-los. Isso é importante pois as vezes bruxos e até seres malignos lutam em dupla ou bando, usando-se de sincronia. – Papai avisou a Ty antes de começarmos o duelo.
- Bem, ta pronto Seth? – perguntei olhando pra ele.
- Estou, Griff. – ele sorriu mostrando os dentes e tocamos nossas varinhas, um gesto que sempre fazemos antes de lutar juntos.
- Estou muito curioso em ver vocês lutando juntos, afinal de contas mataram Hellion assim! – Ty mal conseguia esconder a ansiedade e a curiosidade.
Quando foi dado o sinal para o início do duelo, eu e Seth partimos para o ataque, como fomos treinados a vida toda, seguindo uma sincronia quase perfeita. Seguíamos o movimento um do outro, um cobrindo os buracos do outro. Dessa vez papai liberou que levássemos mais a sério e portanto ele e Ty decidiram tomar a tática de lados opostos duelarem, portanto papai avançou para mim, tentando me isolar de Seth, ao mesmo tempo em que Ty conjurava feitiços contra Seth. Mas eu e Seth respondemos a altura e após um longo duelo finalmente conseguimos derrota-los, levando os quatro a exaustão.
- Há tempos não me canso tanto, mas também não me divirto tanto! – papai falou enquanto sentávamos no que restou da sala de treinamentos e ele começava a concertar os estragos.
- Isso foi maravilhoso! Quero continuar treinando assim para entrar em sincronia com meus companheiros! – Ty falava entusiasmado e ficou mais feliz ainda quando Seth, que havia ido pegar Ártemis e chamar Gaia, voltou para a sala segurando a mão de Gaia e abraçando Ártemis.
– Vem com o titio, Ártemis!!
- Ty parece maravilhoso assim porque eu e o Griffon treinamos a vida toda juntos, e mesmo assim é complicado. Entrar em sincronia com qualquer um é muito complicado. – Seth observou enquanto deixava Ártemis no colo de Ty e todos se reuniam ao redor dele para brincar com ela. Gaia olhou em volta meio boquiaberta e chocada ao mesmo tempo.
- Como vocês conseguem destruir tudo assim?! Quando mamãe ou titio treinam comigo mal mexemos em uma mesa! – Ela falou enquanto sentava no meu colo.
- É porque você ainda não está pronta para treinar pesado assim. Não vê como estamos cansados? – Falei fazendo carinho em sua cabeça.
- Daqui um ou dois anos, sua mãe, sua tia e eu vamos começar a treina-la mais pesadamente tudo bem, querida? Se quiser poderá até sair em missões conosco. – Papai falou com um sorriso convidativo para Gaia, que respondeu com um sorriso entusiasmado.
- Por falar nisso, Tio. Eu queria conversar com vocês sobre uma coisa.
- O que é Ty? Não aprontou nada muito sério em Durmstrang né? – brinquei com ele.
- Não! Sou um santo lá! Não sei porque acha isso de mim! – ele falou fingindo indignação.
- Coitado dele, Griff, ele ficou até chocado por achar isso dele. – Seth falou rindo. – Mas o que quer falar Ty?
- É sobre o clã. Eu queria entrar para o Clã Chronos. Treinar ainda mais com vocês, caçar com vocês, sair em missões junto de vocês. Lutar ao lado de vocês. – Algo em sua voz me deixou comovido e orgulhoso e enquanto eu o olhava, parecia ver Tio Kyle ali segurando a sobrinha dele. Vi que Seth e Papai tiveram a mesma sensação, mas para papai foi uma sensação mais forte, pois ele vira a mesma frase ser dita pelo pai daquele garoto, seu melhor amigo.
- Você já tem um lugar em nossa famíla, Ty. E desde que nasceu tem um lugar em nosso clã, você é bem vindo a qualquer momento. – Papai falou com certa emoção na voz, segurando as lágrimas que eu sabia que queriam sair. Ele se sentou mais perto de Ty e o abraçou. – Na verdade, eu e sua Tia estávamos esperando que pedisse por isso, que desejasse isso.
- Eu sempre quis. E desde que...Desde que papai faleceu, sinto isso mais forte.Mas achei que iam me achar muito novo. – Ty falou, agora ele segurando a emoção também e se aconchegando mais ao abraço de papai. Eu e Seth também sentamos mais próximos, como uma grande família juntos.
- Não há idade quando o desejo é forte. – Seth falou sério.
- E nós dois caçamos desde crianças, é claro que você poderia caçar também. – Falei sorrindo. Gaia parecia notar que havia algo no ar e ficava quieta, mesmo sem saber o que era.
- Obrigado pelo apoio...Vocês são realmente como uma família para mim e fico muito feliz de poder estar com vocês...Eu também tenho desejo de me tornar um Inominável.
- Isso é algo um pouco mais complicado, para se tornar um Inominável é muito difícil, mas ajudarei você, Ty. – papai falou sorrindo.
- Bem, acho que só precisamos convencer uma "calma" Tia Alex a deixar seu filho querido nas mãos de malucos como nós! – falei rindo, imaginando a cena de Tia Alex quando soubesse que o Ty iria se unir a nós.
- É esse realmente pode ser um problema! Maior do que passar para os Inomináveis. – Papai riu com alegria e Ártemis pareceu concordar pois se mexeu no colo de Ty e acordou para nos lançar um olhar cheio de curiosidade.

continua...

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Das memórias de Ty McGregor

Conseguimos sair daquela confusão ensopados, sem nos afogar. Colocamos as crianças pequenas na margem. Antes que o outro bote parasse McBride já estava ao nosso lado:
- O que foi que houve?
- Um cara pulou no bote e o virou. Parecia que queria nos afogar... - disse Amber, arquejante.
- O Ethan sumiu! Griff, vamos revirar este parque atrás dele. Emily e Annabeth, vocês levam os outros para casa agora!- disse tenso.
- Esperem um pouco: Quem cuida deste grupo sou eu e Annabeth e vamos ficar juntos. Temos que nos organizar, não sabemos porque fizeram isso. - disse Emily no mesmo tom.
- Não vamos sair daqui sem o Ethan. - disse Brian e foi apoiado por Brianna.
- Leva os outros para casa, eu vou com Griff fazer uma varredura pelo parque enquanto a pista está fresca. - insisti.
- Acha que foi algum atentado?- perguntou John e após pensar alguns segundos Griff disse:
- Não! Tinham um alvo certo, e era o Ethan. Ele foi direto no garoto.
- Se o alvo era o Ethan, vamos nos dividir e procurar pelo parque. Já foi um risco, usarem magia aqui para pegá-lo, devem estar escondidos esperando uma forma mais segura de sair. - disse Cody.
- Micah, quero as imagens daquele trecho, talvez tenhamos alguma coisa com que trabalhar. - e após trocar um olhar com Annabeth e Emily ele falou:
- Emily, não avise Alex ainda, ela não pode se assustar...
- Mas temos que avisar ao meu tio. Se foi um seqüestro, podem pedir algum resgate e ele tem que estar preparado. - disse Annabeth e McBride disse:
- Falarei com Logan, mas quero dar uma olhada no parque antes de sairmos daqui. Vamos nos dividir em grupos onde alguém possa aparatar e levar o outro junto, para o quarto do hotel, se surgir algum problema ok? Nem todos aqui têm autorização para isso, mas ao menor sinal de perigo, não hesitem em usar suas varinhas. De lá, vamos embora do nosso jeito. Chega de “aventura trouxa”. - nos dividimos em grupos, para procurar, mas ao olhar para Griff ele tinha o mesmo pensamento que eu: quem quer que tenha levado Ethan, era profissional e já estava bem longe dali.

Quando voltamos para casa, poucas horas depois, por uma chave de portal conjurada por Annabeth, minha mãe já sabia o que havia acontecido e já tinha chamado todos que de alguma forma poderiam ajudar. Não foi surpresa encontrar reunidos por lá, o clã Chronos, tio Ben, os pais de meus primos, e o pai de Desireé e Jean, Jacques Savoy.
Como mamãe estava em final de gravidez, não fazia projeções astrais, pois poderia por em risco o bebê, então eu, com a ajuda de Griffon e do tio Lu, fizemos algumas buscas, mas acabavamos sentindo vibrações em diversos pontos diferentes. Alguém queria nos confundir, deixando pistas falsas pelo caminho. E isso há mais de 3 dias...
Annia que havia desistido de ir para a Espanha para nos ajudar, teve a idéia de usarmos um pêndulo mágico, pois ninguém iria criar barreiras contra uma magia tão simples quanto esta; e ela estava certa: e a pedra de cristal sempre apontava para a região da Inglaterra. Após algumas projeções sempre que chegava a determinado ponto em Dover, no condado de Kent, havia alguma interferência e eu tinha que recuar, com Griff acontecia o mesmo.
Descobrimos que naquele trecho moravam algumas famílias bruxas, mas o nome que mais chamou a atenção de minha mãe, foi Selwyn. Estes eram os únicos que não tinham bom relacionamento com a nossa família.
- Fizemos tudo que podíamos, posso tentar entrar naquela casa, mas você sabe que não serei bem recebido...- dizia tio Lu.
- Podemos pedir uma autorização do Ministro Schakelbolt, para que possamos ir até a casa deles... - dizia Jacques Savoy, e após olhar em volta perguntou:
- Onde está o Logan?
- Precisou sair ontem para resolver uma coisa...- mamãe respondeu séria:
- Numa hora crítica destas, ele sai? Este seu marido... - ele disse olhando para os outros e a irmã de tio Logan, Claire, disse azeda:
- Cuidado com o que vai falar do meu irmão, esta é a casa dele. - e antes que começasse algum bate boca, tio Logan entrou na sala, com as roupas amarrotadas, barba por fazer. Seu sobrinho Cody, estava do mesmo jeito.
- Onde você esteve Logan?- perguntou minha mãe indo ao encontro dele. Pude ver que ela estava aliviada.
- Tinha que fazer alguma coisa. Posso não ser profissional, como vocês ‘aurores’, mas tenho minha rede de informantes. - e olhava irritado para o tio Jacques.
- Muito bem, e o que descobriu?- ele perguntou e tio Logan fez sinal a Cody que abriu a porta, e McBride trouxe um homem de aparência maltrapilha e fedendo para dentro da sala, tinha um olho roxo. Mamãe o reconheceu na hora:
- Mundungo Fletcher? O que este batedor de carteiras faz aqui?
- Viu? Sua mulher não me quer aqui, não a contrarie, deixe-me ir embora. - tentou recuar, mas tio Logan se aproximou dele rápido e segurou-o, pela garganta dizendo:
- Diga o que você me contou Mundungo. Não sou muito paciente, acho que você percebeu...
- Ssim...Sim! Calma... Seu menino foi levado a mando da senhora Selwyn.
- Porque ela levaria o Ethan? Se ela queria vingança pela prisão do filho dela, viria atrás de mim...Ou do Lu. Nós é que fomos testemunhas de acusação no julgamento dele, sobre a conduta suspeita dele no Ministério durante a ascensão de Voldemort. - disse minha mãe, buscando confirmação com tio Lu.
- Não foi vingança... Se fosse ela teria que pegar os filhos de todos que falaram contra o filho dela.- disse tio Ben.
- Não, era algo que pertence a ela. - o homenzinho disse:
- O que o Ethan tem que seja dela? - tia Megan, que estava calada, perguntou.
- Sangue dos Selwyn, oras. Ele é o neto dela. - e aquela informação fez minha mãe sentar-se no sofá pálida e tia Mirian entrou na sala como se percebesse que algo não ia bem, e ficou ao lado dela.
- Não pode ser... O filho dela está na prisão...E ele não tinha filhos...
- Mas ele não era filho único. Ela tinha um filho mais novo que foi banido, por ser favorável aos trouxas. E agora que ela não tem mais ninguém para continuar a família, teve que procurar o desgarrado.
- E você sabe de tudo isso porque? - tio Lu perguntou e como o homem hesitasse, ele mostrou as presas e olhos vermelhos injetados de sangue, e o bruxo se apavorou, recuando até a mesa da sala:
- Eu falo! Eu falo! Mas fica longe de mim. - e ao sinal de minha mãe, tio Lu se afastou, e o homem disse:
- Algumas vezes eu estive na escola para vigiar o menino... Sabe, eu preciso ganhar a vida de alguma forma...
- Você espionava meu filho, seu anormal? Isso é ganhar a vida para você? - perguntou minha mãe enfurecida e uma luz dourada saiu da mão de tia Mirian, para acalmá-la.
- Do jeito que você fala, parece que eu fazia uma coisa suja. Não sou um destes doentes por aí não, até gente como eu, tem ética. Eu apenas colhia informações sobre o neto dela, horários que ele ia pra escola, quando brincava, se havia seguranças ao redor dele, só isso...
- Agora que sabemos onde o Ethan está, vamos buscá-lo. - disse Griffon impulsivamente e tio Lu pos a mão no ombro dele dizendo:
- Se o Dunga, fala a verdade, a coisa não é tão simples assim...Teremos que agir dentro da lei.
- Mas aquela bruxa velha não respeitou a lei, que deixou Ethan sob a guarda dos Warrick. Por mim eu entraria naquela casa e tiraria o menino de lá a força, e falaria de leis, depois. - disse Claire inflamada e tio Logan disse:
- Eu sei, Claire, mas Alucard tem razão. Teremos que fazer tudo dentro da lei e o mais importante: se ela for mesmo avó do Ethan, ele tem o direito de decidir se quer viver com ela ou não, mesmo gostando de nós. Tenho certeza que Alex concorda comigo...
- Sim, concordo, Logan. Embora eu conheça a fama dos Selwyn, teremos de fazer tudo dentro da lei. Não podemos agir impulsivamente, e arruinar as chances de Ethan ter uma família, mesmo que não seja a nossa.
Depois disso, tio Logan liberou o bruxo, mas o revistou antes de sair e achou no bolso dele, uma caixinha de prata que estava na mesinha da sala. Claro que o ladrão, disse que não sabia como aquilo foi parar no bolso dele. ¬¬
Agora sabendo o que havia acontecido com Ethan, decisões foram tomadas: tia Megan, que era a assistente social encarregada do caso de Ethan, foi escrever para a Suprema Corte Bruxa, divisão de adoções, solicitando um julgamento de custódia definitiva em caráter emergencial, pois uma ordem judicial havia sido descumprida e um crime havia sido cometido, tudo isso sem falar na exposição dos bruxos, num parque trouxa mundialmente famoso, além de mandar minha mãe e tio Logan, contratarem um advogado bom de briga. Eram atitudes que fariam com que Ethan voltasse para nós, mesmo que fosse por pouco tempo, porém tudo seria feito da forma correta, e visando o que fosse melhor para o garoto. Só nos restava esperar e confiar que a justiça mesmo sendo cega, não falharia.
 

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